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sexta-feira, 10 de maio de 2013

TP 06 6 O teu nome é Companhia, Aleluia!

Nas palavras do Senhor Jesus se respira um ar de grave saudade que se faz promessa: «Eu vos verei de novo e o vosso coração se alegrará e ninguém poderá tirar a vossa alegria» (Jo 16,22). Justo no momento em que a separação se faz mais eminente e sempre mais grave, o Senhor Jesus se faz intérprete desta separação e a transforma em uma real e grande oportunidade. Sempre as relações, sobretudo e antes de tudo aquelas que mais nos tocam, tem necessidade de reviver o drama de um parto renovado. A imagem da mulher, que «quando deve dar à luz, é na dor que o faz, porque chegou a sua hora» (16,21), torna-se para o Senhor Jesus a imagem mais adequada para falar da necessária transformação que deve acontecer na sua relação com os discípulos e do seu modo de relacionarem-se entre eles. O mistério pascal cria uma distância e obriga a viver uma separação que, mesmo na sua inevitável dose de dor, torna-se a ocasião irrenunciável para crescer e ir além do que já se viveu e amou.

A cruz se ergue como juízo e representa o eixo cartesiano, que permite o discernimento e a orientação que, inevitavelmente, comporta também acolher os inevitáveis sofrimentos: «Vós chorareis e gemereis, mas o mundo se alegrará. Vós estareis tristes, mas a vossa tristeza se mudará em alegria» (16,20) A experiência pascal não é a morte, mesmo se passa através da morte! Ela é o lugar de profundas transformações que permitem um ganhar liberdade, a tal ponto que a alegria do final, diferentemente daquela dos inícios, «ninguém poderá» (16,22) tirá-la. A presença e a companhia do Senhor na nossa vida de discípulos não será diminuída pela experiência pascal, mas será radicalmente transformada, tanto que «naquele dia não me perguntareis mais nada» )16,23). Na primeira leitura podemos bem entender como tudo isto se realize na vida da Igreja nascente e na experiência pessoal de todos aqueles que se colocam no seguimento do Senhor Jesus Cristo, com generosidade e decisão firme. Ao final, vemos que ainda uma vez, Paulo «embarca» (At 18,18), e não sozinho, mas «em companhia de Priscila e Áquila». Não obstante o peso tão exigente da perseguição, das surras, das humilhações e das rejeições entre os discípulos, gera-se sempre mais uma companhia, que se funda sobre a fé comum e sobre uma esperança compartilhada, que se realiza em uma ardente caridade. Esta se expressa em uma crescente capacidade de caminhar juntos e viajar para novos portos, na espera de um novo modo de proceder unidos, que possa fazer nascer, não somente no nosso coração mas, através de nós, para a alegria de a vida de todos. As palavras do Senhor Jesus no cenáculo, como a experiência narrada por Lucas, sobre os primeiros passos da Igreja, recordam-nos que a companhia com o Senhor e entre nós não é um simples sentimento de proteção quentinha, mas um estímulo a andar sempre além do que nos conhecemos e vivemos.

Semeraro, M., Messa Quotidiana, Bologna, maggio 2013, 104-105.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

TP 05 6 O teu nome é Bem! Aleluia!

João escuta o Sagrado Coração do Amigo Jesus, grafica digital, 2008.
O início da primeira leitura, que assinala a conclusão da grande discussão no que se refere à questão tão importante da circuncisão, ainda fundamental para o hebraísmo, pode ser tomado como chave de compreensão do modo de agir e de interagir da comunidade dos fiéis com aquelas que são as exigências e perguntas colocadas pela história: «Aos apóstolos e aos anciãos, com toda a Igreja, pareceu bem...» (At 15,22). Sente-se a necessidade de acompanhar a carta com pessoas confiáveis que possam, pessoalmente, ajudar os fiéis a acolher profunda e serenamente as decisões tomadas. Em uma palavra, poderíamos dizer que o «bem» passa sempre através do encontro com pessoas concretas que nos fazem bem e nos fazem sentir-nos bem, isto não pode ser reduzido a frios e impessoais documentos. Esta modalidade eclesial, que deveria ser uma característica do modo de agir na comunidade dos fiéis, encontra o seu fundamento na palavra e na atitude de Cristo. O Senhor Jesus, justamente enquanto transmite aos discípulos o seu «mandamento» (Jo 15,12), ele o encastra, como uma pérola, no anel do dom de uma relação profunda, sem a qual o mesmo mandamento arrisca ser uma palavra morta:«Ninguém tem amor maior que este: dar a vida pelos próprios amigos» (15,13), que se traduz em uma espécie de declaração solene: «Vós sois meus amigos» (15,14).

Não basta usar este título de «amigos»! Cada vez que nós o utilizamos, somos chamados a fazer um longo caminho, que exige uma profunda renúncia a tudo o que pode impedir a recíproca compreensão e acolhimento. O caminho escolhido pela Igreja primitiva, sua inspiração do Espírito Santo que continuamente guia os passos concretos nos tempos e lugares reais da história, foi aquele de aliviar, mais que fazer pesados, limitando-se rigorosamente às coisas «necessárias» (At 15,28). O Senhor Jesus nos leva ao coração do que é verdadeira e absolutamente necessário: «Não vos chamo mais servos, porque o servo não sabe aquilo que faz seu patrão; mas vos chamei amigos» (Jo 15,15). O dom de Cristo é aquele de nos fazer entrar em uma comunhão de rara intimidade, da qual brota um profundo e real envolvimento: «Para que andeis e produzais muito fruto e o vosso fruto permaneça» (15,16).

Por três vezes, no texto dos Atos se faz referimento a este «bem», que puderam discernir juntos e que se deseja que possa ser participado por todos, para que todos possam profundamente gozar. Comentando o Evangelho de João, Clemente de Alexandria se exprime em termos paradoxais: «Pela sua compaixão para conosco, Deus se fez mãe para nós: no seu amor, o Pai se fez mulher e nos doou o grande sinal deste amor, com a geração do Filho, e o fruto nascido deste grande amor, é ele mesmo amor»[1]. O mesmo termo «amigo» remete ao mistério de um amor profundamente reconhecido e sensivelmente percebido: quê coisa nos pode fazer mais «bem»? Quê coisa poderia fazer aos outros mais «bem» do que isto?

Semeraro, M., Messa Quotidiana, Bologna, maggio 2011, 254-256.

[1] CLEMENTE ALESSANDRINO, Un ricco può salvarsi? 37.